Não funciona, mas Prefeitura de São Mamede distribui cesta básica com cloroquina

Não funciona, mas Prefeitura de São Mamede distribui cesta básica com cloroquina

Depois de perder dois ministros que se recusaram a “bancar” a Cloroquina como remédio milagroso no enfrentamento do novo Coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) passou a ter um seguidor dos seus ensinamentos na Paraíba. O prefeito de São Mamede, no Sertão, Umberto Jefferson (DEM). A Prefeitura Municipal iniciou nesta segunda-feira (18) a entrega do “kit Covid-19”. A “cesta básica” traz, entre outros medicamentos, Cloroquina 150 mg, Azitromicina 500 Mg, Ivermectina 6 Mg e Dipirona 500 mg.

Mas qual o problema na cesta “milagrosa” de medicamentos apoiada pelo presidente Bolsonaro? O problema é que não há base científica para sustentar a eficácia do medicamento, que pode matar, caso o paciente tenha histórico de problema cardíaco. Foi por não querer bancar o medicamento, junto com a hidroxicloroquina, que os ministros Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich caíram em desgraça no governo federal e deixaram a pasta.

Atualmente, no mundo, apenas três governantes apostam todas as fichas na Cloroquina. São eles Donald Trump, nos Estados Unidos; Jair Bolsonaro, no Brasil, e Nicolaes Maduro, na Venezuela. Isso mesmo, a criticada e ideologizada Venezuela. E isso contra as pesquisas científicas dizendo que não há evidência de que o medicamento tenha eficácia seja após os primeiros sintomas ou com o agravamento da doença.

Uma destas pesquisas, realizada pela Universidade de Albany, no estado de Nova York, e divulgada na semana passada indicou não existir relação entre o uso da Cloroquina e da hidroxicloroquina e a redução da mortalidade pela doença. Foram analisados 1.438 pacientes infectados com coronavírus, em 25 hospitais de Nova York. E sabe o curioso? A pesquisa revelou que os usuários correram mais riscos de morte em decorrência de problemas cardíacos. Não há, sequer, um estudo publicado dizendo o contrário.

Nesta semana, em entrevista à Folha de São Paulo, o ex-ministro da Saúde, Henrique Mandetta, que é médico, comparou o efeito miraculoso da Cloroquina às fitinhas do Senhor do Bonfim. “Sabemos que, se não fizer absolutamente nada, se você tem 25 anos, é saudável e tiver a Covid, teria 99% de probabilidade de ter uma forma leve e sair bem. Se eu te tratar com a fita do Senhor do Bonfim e cloroquina, teria 99% de chance. Com camisa do Botafogo e cerveja preta, também. Se tiver com 68 anos, aí teria mais chance de complicar”, alertou.

No caso de São Mamede, Umberto Jefferson, que é médico, diz que tem usado os melhores protocolos para o atendimento dos pacientes na cidade. Apesar disso, em resolução, o Conselho Federal de Medicina condicionou o uso da Cloroquina e da Hidroxicloroquina ao uso de receita médica e “concordância do paciente”. É meio como fizer: “assuma os riscos que você está correndo por tomar um placebo”.

“Seguiremos os protocolos e a prescrição médica para tratamento domiciliar. Se Deus quiser logo em breve todos estarão recuperados”, afirmou o Prefeito Umberto Jefferson. Os medicamentos serão concedidos conforme a prescrição médica, o médico avalia os sintomas e as vezes não espera o paciente testar positivo, já que o teste rápido positiva apenas no 8° dia dos sintoma.

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