Más notícias sobre a fome no mundo

Más notícias sobre a fome no mundo

Há uma crise de fome severa em 51 países do mundo, afetando 124 milhões de pessoas, segundo dados do Relatório Global sobre Crises Alimentares, apoiado pela ONU e lançado nesta quinta-feira (22). É a segunda edição desse estudo, preparado por 12 instituições globais coordenadas pela Food Security Information Network e que fornece uma visão clara do problema. O número representa 11 milhões a mais do que no ano anterior, quando existiam 48 países em situação de crise alimentar. A esmagadora maioria desses países ficam na África e também no Oriente Médio.
 
Mas a situação de insegurança alimentar relatada na Venezuela, na Eritreia e na Coreia do Norte também preocupam os pesquisadores. A questão é que não foi possível encontrar dados suficientes desses três países para fazer o estudo.
 
-Na Venezuela, 6,7 milhões de pessoas dependem de programas governamentais de distribuição de alimentos; o custo das rações governamentais aumentaram em 150% entre abril e agosto de 2017 devido ao aumento dos preços dos alimentos. O preço de uma cesta de alimentos no mercado negro também aumentou naquele país, subindo em média 24% ao mês entre abril e agosto, registrando o maior aumento em 20 anos entre junho e 15 de julho. Mais de um milhão de venezuelanos teriam deixado o país por causa da escassez de produtos básicos e da inflação crescente. Na Eritreia, restrições econômicas aumentaram a vulnerabilidade à insegurança alimentar e entre 15 e 17 mil crianças estão gravemente desnutridas-, diz o relatório.
 
Cinco países, que não estavam no relatório de 2016, foram acrescentados no estudo deste ano: El Salvador, Paquistão, Palestina, Sri Lanka and Ucrânia.
 
Os dados foram divulgados pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), pelo Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA) e pela União Europeia e revelaram que conflitos, eventos climáticos severos e preços elevados de alimentos básicos são os principais fatores que provocam esse nível de privação. O brasileiro José Graziano da Silva, que ajudou o ex-presidente Lula a formatar o programa -Fome Zero- no Brasil e hoje é diretor-geral da FAO, disse que esses fatores estão cada vez mais presentes e não podem ser esquecidos na hora de enfrentar o problema. Sim, e são fatores muito complexos, que, muitas vezes, acontecem ao mesmo tempo.
 
A pior crise alimentar em 2017 aconteceu, segundo dados do relatório, em quatro países: Nigéria, Somália, Iêmen e Sudão do Sul, onde há nada menos do que 32 milhões de pessoas precisando urgentemente de assistência para não morrerem de inanição. Quarenta e cinco países fizeram parte do relatório em 2016 e, se já não bastassem as más notícias, o número de crianças e mulheres que precisam de apoio nutricional aumentou entre 2016 e 2017, principalmente em áreas afetadas por conflitos ou insegurança como a Somália, o Sudão do Sul, o Partido Democrata República do Congo, Iêmen e norte da Nigéria. Em alguns desses países houve surtos graves de cólera, exacerbando os níveis de desnutrição aguda.
 
Dos fatores que causam a fome, segundo dados do relatório, os que mais deixam pessoas à mercê da fome são os conflitos. Em 18 países estudados, quase 74 milhões de pessoas passam por este problema e estão necessitando urgentemente de ajuda humanitária. E recebem. Mas metade dessas pessoas estão em países da África e do Oriente Médio que vivem guerras intensas, o que muitas vezes também dificulta a chegada de ajuda.
 
Crises climáticas são outra causa que provoca fome em 23 dos países estudados. Sobretudo quando há falta de chuvas, o que causa seca e impede de plantar e colher. Trinta e dois milhões de pessoas estão vivendo esse tipo de privação no mundo. As ilhas de Cabo Verde, por exemplo, praticamente não tiveram colheita em 2017/2018  por causa de uma seca severa e, em vários países, o acesso a alimentos foi limitado também por causa do aumento dos preços no mercado interno, conforme demonstra o estudo.
 
Mas as tempestades também tiveram seu poder destruidor em 2017. Desde o início de agosto, fortes chuvas causaram inundações em todo o Sul da Ásia, afetando 40 milhões de pessoas em Bangladesh, Índia e Nepal. As informações que constam no relatório são:
 
-As inundações destruíram casas, escolas e instalações sanitárias e causaram danos agrícolas extensivos, levando as pessoas à insegurança alimentar aguda e exacerbando vulnerabilidades pré-existentes. A população afetada tornou-se dependente de assistência urgente para comida, abrigo, água limpa e saneamento. Três episódios de inundações graves e generalizadas em Bangladesh reduziram a produção de arroz em 2017, o que afetou o acesso a alimentos a nível nacional-.
 
Uma outra causa importante para os moradores de um  país chegarem a este nível de privação é o aumento, puro e simples, do preço dos alimentos. Segundo o relatório, em 2017 os preços dos alimentos básicos atingiram níveis recordes na Nigéria, Níger, Etiópia, Quênia, Uganda, Sudão, Iêmen e Sudão do Sul. E estavam em níveis anormalmente altos em muitos outros países, incluindo Bangladesh, Burundi, Somália e Sri Lanka. Diz o relatório:
 
-As razões por trás dos aumentos dos preços dos alimentos em 2017 foram múltiplas, embora conflitos climáticos e econômicos tenham sido os principais responsáveis. Embora as condições do mercado internacional fossem geralmente estáveis, contas de importação de alimentos em países dependentes deste setor da economia foram inflacionadas por depreciações de moeda, custos, aumento global do volume agregado de importações em países onde a produção permaneceu insuficiente-.
 
O relatório é longo e minucioso. Explica, por exemplo, que a situação de fome deve ser declarada num país quando há evidência de três condições:
 
-Quando pelo menos 20% da população enfrenta escassez extrema de alimentos; quando pelo menos 30% das crianças sofrem de desnutrição aguda e quando as mortes diárias provocadas por fome ocorrem com o dobro da taxa normal de mortalidade do local-.
 
Há muito o que refletir com os dados colhidos nesse relatório. -Convoco- para me ajudar a filósofa e economista indiana Vandana Shiva, incansável ativista para a necessidade de se recriar a civilização no sentido de buscar a redistribuição de alimentos no mundo.
 
-Fome e a desnutrição são provocadas pelo homem. Tivemos dois mil anos de uma civilização que trabalhou contra a Terra, contra as pessoas, nos dando mudanças climáticas, desemprego, fome, poluição de todas as formas.  Precisamos de uma democracia da Terra para as pessoas. Para garantir o fornecimento de alimentos saudáveis, devemos avançar em sistemas agroecológicos e sustentáveis de produção de alimentos que trabalhem com a natureza e não contra ela. É isso que os movimentos que promovem a conservação da biodiversidade  estão projetando.A estratégia mais eficaz e de baixo custo para combater a fome e a desnutrição é através da agricultura biológica biodiversa. Ela enriquece o solo e solos ricos em nutrientes nos dão alimentos ricos em nutrientes-, diz ela.
 
Como eu disse, é para ir refletindo.

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