Conversas entre envolvidos no esquema da merenda apontam Renan como participante direto

Conversas entre envolvidos no esquema da merenda apontam Renan como participante direto


A Operação Famintos tem revelado uma verdadeira -máfia da merenda escolar- na cidade de Campina Grande, no Agreste. Conversas obtidas pelo Blog do Wallison Bezerra mostram como eram os acordos para a realização de fraudes no fornecimento na merenda pela rede municipal. Os diálogos apontam que o vereador Renan Maracajá (PSDC), teria participação direta nas irregularidades investigadas.

No dia 23 de julho, uma conversa entre o presidente da CPL de Campina, Helder Giuseppe, e o servidor da Secretaria de Administração, José Lucildo, falaram sobre um documento que Renan havia deixado no órgão para ser entregue a Helder ou ao então secretário Paulo Roberto Diniz.


Isso, segundo os órgãos investigadores, aponta que o vereador tinha participação direta no esquema. Durante os mandados de busca e apreensão, foi encontrada uma planilha na sede de LACET COMERCIAL contendo nome as escolas de Campina e uma lista de estabelecimentos de ensino que Renan era o responsável por fornecer alimentos.

Em 05 de abril a Polícia Federal constatou, como já noticiamos aqui no Blog, que Renan foi até a casa de Marco Antônio Querino para um encontro, que foi marcado através de uma ligação.



Em 09 de julho de 2019, Marco Antônio e Flávio Souza Maia falaram sobre um acordo que foi detalhado no depoimento e citaram o vereador Renan Maracajá como um dos interessados.

Para o Ministério Público, ficou clara a forma de atuação do grupo. No inquérito, é citado o passo-a-passo da quadrilha. -Inicialmente, eles escolhem as empresas que vão participar do procedimento licitatório e combinam as propostas de modo a eleger qual delas ganhará o certame e formalmente será a fornecedora de merenda às escolas. Celebrado os contratos, dividem o número de escolas que cada empresário atenderá em nome da pessoa jurídica que foi contratada, como uma espécie de subcontratação, mas à margem da licitude. Recebidos os pagamentos na conta bancária da empresa contratada, o dinheiro é repassado para o empresário responsável pelo abastecimento da escola, que fez o pagamento, seja através de conta bancária própria, de uma pessoa jurídica em seu nome ou de interpostas pessoas, os -laranjas-, diz o trecho da investigação.

Outra conversa mostra que, após o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PB) suspender um processo licitatório da Secretaria de Educação em virtude do sobrepreço, Antônio Querino falou sobre o assunto com Charles e com Severino Roberto Maia, citando Pablo Allyson como um dos envolvidos com a irregularidade.



Com essa conversa, a investigação pode observar que Pablo Allyson consta como beneficiário de uma transferência eletrônica oriunda da pessoa jurídica Arnóbio Joaquim Domingo da Silva, o Barra Mansa, o que reforçaria, segundo a apuração, o vínculo dele com o grupo criminoso. Outra interceptação telefônica mostrou que Ângelo Felizardo do Nascimento pediu a Severino Roberto Maia o número de uma conta bancária para colocar uma -proposta-.


A apuração da fraude aponta que o uso de Arnóbio Joaquim Domingos da Silva, o Barra Mansa, por Ângelo Felizardo para fornecer alimentos nas escolas de Campina foi evidenciado por uma ligação telefônica, onde Severino Maia esclarece para uma gestora que Ângelo é o responsável pela entrega da merenda naquela escola.

-Uma Senhora liga, dar boa tarde para BILÃO, diz que é a gestora do LUZIA DANTAS que fizeram o pedido da merenda na quarta-feira e que ficaram de entrega pela manhã (do dia 22); BILÃo diz que quem atende o LUZIA DANTAS é o ÂNGELO; GESTORA fala que não, que é o BILÃO; BILÃO diz que era ano passado e que agora é com ÂNGELO; GESTORA diz que quem assinou o contrato foi BILÃO; BILÃO diz que de fato assina de todo mundo; GESTORA ainda insiste que quem fornecia era o BILÃO; BILÃO diz que agora, após a divisão, ficou para ÂNGELO, que vai ligar para ele-.

Outra ligação telefônica aponta a participação de Ângelo Felizardo no acordo ilícito no fornecimento da merenda, como mostra um diálogo entre Marco Antônio Querino e Flávio Souza Maia.

Isso, segundo a investigação, mostra que Bilão e Macarrão teriam combinado propostas que também envolvem Frederico de Brito.

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