Trump reconhece Jerusalém como capital de Israel

Trump reconhece Jerusalém como capital de Israel

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconheceu nesta quarta-feira Jerusalém como capital de Israel e anunciou que vai mudar a embaixada americana no país para a cidade sagrada.


“O meu anúncio hoje marca o início de uma nova abordagem do conflito entre Israel e os palestinos”, afirmou. “Julgo que esta ação seja para o melhor dos Estados Unidos e da busca pela paz entre Israel e os palestinos”.


O presidente americano garantiu que permanece comprometido com as negociações entre os dois lados. “Os Estados Unidos continuam profundamente empenhados em ajudar a facilitar um acordo de paz aceitável para ambos os lados. Pretendo fazer tudo o que estiver ao meu alcance para ajudar a forjar tal acordo”, disse.


A transferência da representação diplomática de Tel -Aviv para Jerusalém foi uma das principais promessas de campanha de Trump. O estatuto da cidade é um tema-chave no conflito israelense-palestino, e ambas as partes reivindicam a cidade como sua capital.
A questão de Jerusalém


Jerusalém abriga locais sagrados para judeus, cristãos e muçulmanos e, por isso, é central no conflito entre Israel e os palestinos. Em 1947, o Plano de Partilha da Palestina estabeleceu que Jerusalém seria administrada por um conselho tutelar da ONU, em regime internacional. A resolução, contudo, nunca foi cumprida.


Com o armistício após a Guerra de Independência de Israel, em 1949, a cidade acabou dividida pela primeira vez em seus 3.000 anos de existência –a porção ocidental controlada por Israel e a porção oriental, incluindo a Cidade Velha, onde se concentram os principais sítios de significância histórica e religiosa, controlada pela Jordânia.


A divisão da cidade marcou o imaginário social israelense, principalmente porque a Jordânia interditou o acesso de judeus (e de cristãos árabes-israelenses) a áreas sagradas da religião, dessacrando locais como o Muro das Lamentações, o Monte das Oliveiras e destruindo mais de cinquenta sinagogas.


Após a Guerra dos Seis Dias, em 1967, Israel conquistou e ocupou a porção oriental e reunificou a cidade. Desde então, o país afirma que Jerusalém unificada é sua capital indivisível. Já os palestinos reivindicam a parte oriental da cidade como futura capital de seu Estado.


Desde 1967, apesar de Israel exercer de facto sua soberania sobre Jerusalém, os locais sagrados para o Islã permanecem sob a administração do Waqf (patrimônio religioso) da Jordânia.


A posição da maior parte da comunidade internacional, incluindo os Estados Unidos, é a de que o status da cidade deve ser decidido em negociações de paz: em seu anúncio hoje, Trump esclareceu que apesar de estar reconhecendo Jerusalém como capital israelense e de ter decidido iniciar o processo de mudança da embaixada americana para a cidade, isso não significa uma mudança na posição americana ou um reconhecimento das fronteiras municipais atuais.


Todos os países mantêm atualmente suas embaixadas em Tel-Aviv, o principal centro comercial de Israel. Nem sempre isso foi assim. Mesmo sem o reconhecimento explícito de Jerusalém como capital israelense, dezesseis países já mantiveram embaixadas na cidade desde 1950: Bolívia, Chile, Colômbia, Costa do Marfim, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Holanda, Panamá, Quênia, República Dominicana, Uruguai, Venezuela e Zaire (atual República Democrática do Congo). Costa Rica e El Salvador mudaram suas missões diplomáticas para a região de Tel -Aviv entre 2005 e 2006.


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